Sem apoio de nenhum vereador da sua cidade, lançamento da campanha de Daniel mostra fraqueza

Daniel do Lago começa campanha pressionado e enfrenta uma das disputas mais difíceis do PSDB

Nem a presença de Otaviano Pivetta foi suficiente para produzir uma grande mobilização nos primeiros atos da candidatura

O início da caminhada de Daniel do Lago rumo à Assembleia Legislativa está longe de apresentar a força que uma candidatura estadual precisa demonstrar.

Os primeiros atos em Porto Alegre do Norte e Confresa foram acompanhados de uma mobilização considerada tímida por observadores políticos da região. Para um candidato que tenta transformar sua experiência como ex-prefeito em uma candidatura estadual, o começo levanta uma questão inevitável: Daniel realmente conseguiu construir uma estrutura política capaz de disputar uma das poucas vagas que o PSDB poderá conquistar?

E um detalhe tornou a situação ainda mais significativa: nem mesmo a presença do governador Otaviano Pivetta foi suficiente para que Daniel apresentasse uma demonstração pública de força e mobilização compatível com o peso político do evento.

A presença de uma liderança estadual de grande projeção poderia ter sido utilizada como oportunidade para reunir vereadores, prefeitos, ex-prefeitos, lideranças e apoiadores. Porém, a avaliação de setores políticos da região é de que a candidatura ainda não conseguiu transformar esse capital político em uma demonstração expressiva de apoio popular.

O problema começa onde Daniel deveria ser mais forte

Porto Alegre do Norte deveria ser o principal cartão de visitas da candidatura.

Foi onde Daniel construiu sua trajetória política e exerceu o cargo de prefeito. Confresa também deveria representar uma importante demonstração de força regional.

Entretanto, os primeiros atos não produziram uma demonstração pública de força compatível com o tamanho do projeto eleitoral.

Outro ponto que chama atenção é a ausência, até aqui, de uma demonstração pública expressiva de vereadores fechados com sua candidatura.

Isso não significa afirmar que nenhum vereador possa apoiá-lo durante a campanha, mas revela uma dificuldade política importante: Daniel ainda não apresentou publicamente uma bancada de vereadores e lideranças capaz de transmitir a imagem de uma candidatura consolidada.

Para uma eleição proporcional, esse problema pode ser decisivo.

Daniel está entrando na pior briga possível

O ex-prefeito não escolheu uma chapa qualquer.

Ele está disputando espaço dentro de uma nominata que reúne nomes com muito mais musculatura eleitoral.

Carlos Avallone chega com mandato, experiência e estrutura.

Juca do Guaraná também possui mandato e votação expressiva.

Chico Guarnieri já demonstrou capacidade eleitoral.

Adenilson Rocha possui uma base consolidada no norte do Estado.

E Moacir Couto chega com experiência política e uma votação anterior relevante.

Daniel, portanto, não precisa apenas conquistar votos.

Precisa conquistar votos suficientes para superar candidatos que já provaram que conseguem obtê-los.

Nem com Pivetta a candidatura conseguiu mostrar força

A presença de Otaviano Pivetta deveria representar um reforço importante para qualquer evento político da base governista.

Por isso, o resultado dos atos chama ainda mais atenção.

Quando um candidato recebe a presença de uma liderança estadual desse tamanho, a expectativa política é que consiga utilizar o momento para demonstrar sua capacidade de articulação e reunir sua base.

A dificuldade de produzir uma mobilização expressiva, mesmo diante desse cenário, acaba alimentando a avaliação de que Daniel ainda não conseguiu formar um grupo político suficientemente forte para sustentar uma candidatura estadual competitiva.

Não é apenas uma questão de quantidade de pessoas em um evento.

É uma questão de quem está ao lado do candidato, quem organiza a campanha e quem tem capacidade de levar votos para as urnas.

Os números mostram o tamanho do problema

Na eleição de 2022, alguns dos principais nomes do grupo tiveram:

  • Carlos Avallone — 26.594 votos
  • Juca do Guaraná — 20.723
  • Adenilson Rocha — 19.800
  • Moacir Couto — 12.901
  • Chico Guarnieri — 10.134

São números que mostram o tamanho da montanha que Daniel terá de subir.

Mesmo que a eleição de 2026 seja diferente, esses resultados demonstram que seus adversários já possuem capital eleitoral comprovado.

Daniel, por outro lado, terá de demonstrar que consegue converter seu passado político municipal em uma votação estadual.

A chapa forte pode ser uma armadilha para Daniel

Existe uma contradição dentro do PSDB.

Uma chapa forte aumenta as chances de o partido conquistar cadeiras, mas também torna muito mais difícil a vida dos candidatos menos competitivos.

Quanto mais candidatos fortes disputam os mesmos votos, maior é a pressão sobre quem está atrás.

Se o PSDB conquistar apenas uma ou duas cadeiras, a margem para uma candidatura com estrutura menor será mínima

oi